Custos totais, incluindo a amortização do sistema, operacionalização e manutenção.

Minimizar o consumo energético.

Minimizar a manutenção e a necessidade de pessoal especializado.

Sistemas que suportem as importantes variações sazonais de caudal.

Minimizar o impacto visual e maximizar a integração no ambiente natural.

Qualidade do efluente obtido, cumprindo os parâmetros de descarga e contemplando a possibilidade da sua reutilização para a rega.

Minimizar os custos de gestão das lamas, contemplando a possibilidade da valorização dos biossólidos obtidod como adubo.

Tratamento completo do efluente no local evitandos transportes e a dependência de gestores externos que geram um maior custo de operação e impacto ambiental.

Com base nos critérios expostos, o sistema WETWINE apresenta-se como uma alternativa com interesse para a gestão dos efluentes das adegas, consistindo numa linha de tratamento de águas e outra de lamas. As principais unidades que o compõem são as seguintes:

  1. Um tratamento primário através de um reactor anaeróbio HUSB.
  2. Uma etapa de tratamento secundário de FITO-ETAR artificiais, combinando FITO-ETAR sub-superfície vertical e horizontal fluxo sub-superfcial, que denominaremos linha de tratamento de águas.
  3. Uma etapa de tratamento de lamas mediante FITO-ETAR de lamas, que denominaremos linha de tratamento de lamas.
 Digestor HUSB (Hydrolytic UpFlow Sludge Bed) 2. Línea de tratamiento de aguas: humedales de flujo subsuperficial vertical y horizontal  Línea de tratamiento de lodos: humedales de lodo

1. Reactor HUSB (reactor anaeróbio de leito de lamas de fluxo ascendente)

O tratamento primário consiste num reactor HUSB, cujas principais funções são a retenção de sólidos e a hidrólise de compostos dificilmente biodegradáveis noutros mais simples.

Nesta etapa de tratamento, separar-se-ão as duas fases: uma líquida que será tratada nas FITO-ETAR verticais e horizontais, e as lamas que serão tratadas nas FITO-ETAR de lamas.

Neste reactor procura-se obter, fundamentalmente, a retenção de sólidos suspensos. Os principais processos físicos que ocorrem num reactor HUSB são a sedimentação, a filtração e a absorção.

2. Linha de tratamento de águas: FITO-ETAR de fluxo sub-superfícial verticais e horizontais.

Tratam-se de sistemas naturais de depuração desenhados para potenciar a eliminação de contaminantes na água residual com mecanismos que ocorrem de forma espontânea na natureza, tanto a nível físico-químico como biológico. Nestes sistemas, os processos de descontaminação têm lugar através da interacção entre a água, o meio granular, os microrganismos e a vegetação.

As FITO-ETAR do sistema WETWINE são de fluxo sub-superfcial, onde a circulação da água é do tipo subterrâneo através de um meio granular em contacto com as raízes e rizomas das plantas. O biofilme que cresce adere ao meio granular e às raízes e rizomas das plantas, tendo um papel fulcral nos processos de descontaminação da água.

Os dois tipos de FITO-ETAR apresentados no sistema WETWINE diferenciam-se pelo tipo de fluxo circulante, dividindo-se entre as FITO-ETAR de fluxo sub-superfcial vertical e de fluxo horizontal.

2.a-FITO-ETAR de fluxo sub-superfcial verticais

As FITO-ETAR verticais são, fundamentalmente, aeróbias e podem suportar cargas contaminantes mais elevadas. É por isso que serão posicionadas à frente do tratamento secundário, para receber a água residual mais carregada proveniente da saída do reactor HUSB.

Originalmente, esta tipologia de FITO-ETAR foi desenvolvida como alternativa às FITO-ETAR horizontais para produzir efluentes nitrificados. Em geral, os sistemas verticais combinam-se com os horizontais para que ocorram, de forma progressiva, os processos de nitrificação e desnitrificação e para que se consiga, assim, eliminar azoto.

A circulação da água é do tipo vertical descendente e ocorre por impulsos, de forma a que o meio granular não fique permanentemente alagado. Os sistemas verticais têm uma maior capacidade de tratamento do que os sistemas horizontais.

2.b-FITO-ETAR horizontais de fluxo sub-superfcial

Posteriormente, passa-se para uma FITO-ETAR horizontal, com zonas aeróbias e anaeróbias, para que, mediante a combinação destes ambientes, se degrade um maior número de contaminantes. Esta FITO-ETAR horizontal assumirá o tratamento do efluente das FITO-ETAR verticais, que virá parcialmente depurado e oxigenado.

Neste tipo de sistemas, a água circula horizontalmente através do meio granular e dos rizomas e raízes das plantas. A profundidade da água é de 0,3 m a 0,9 m e estes sistemas caracterizam-se por funcionar permanentemente inundados e saturados.

3.- Linha de tratamento de lamas: FITO-ETAR de lamas

As FITO-ETAR de tratamento de lamas são do tipo de FITO-ETAR vertical desenvolvido para tratar as lamas provenientes do reactor HUSB. Estes sistemas consistem em vários compartimentos nos quais as lamas homogeneizadas são bombeadas intermitentemente e sequencialmente, alternando entre períodos de alimentação e de descanso.

Os períodos de descanso dependerão das condições de desenho e das condições climáticas, mas os intervalos entre descargas devem ser suficientes para permitir a drenagem da água contida nas lamas. Conforme se vão acumulando as lamas e a camada vai crescendo, os rizomas das plantas vão-se desenvolvendo e penetrando na camada de lama, aumentando a desidratação mediante um processo de evapotranspiração.

Quando se atinge a capacidade de armazenamento de lamas nas FITO-ETAR, e através dos processos físicos (secagem) e biológicos (mineralização), que permitem a sua estabilização, obtém-se um biossólido final com um teor em matéria seca superior a 25%, adequado para uma reutilização directa como adubo.

Esta ferramenta WETWINE permite uma aproximação ao dimensionamento das diferentes etapas que compõem o sistema WETWINE, sendo que, desta forma e através da inserção de uma série de parâmetros específicos de cada adega, poder-se-á obter um pré-dimensionamento das instalações necessárias para instalar este sistema.