As características das águas residuais das adegas apresentam uma grande variabilidade, dependendo, em grande parte, da sua actividade, processo produtivo e do tipo de elaboração, mas também da época do ano. Isso pressupõe uma limitação significativa quanto à escolha do sistema de tratamento mais adequado para a gestão dos efluentes vitivinícolas em cada adega.

Actualmente, em outras áreas, como por exemplo, no caso das descargas domésticas ou de pequenas indústrias agro-alimentares, estão a ser implementadas novas tecnologias naturais para o tratamento de águas residuais, obtendo-se resultados interessantes no que se refere à eficiência do processo, custos de construção e operação, bem como, por serem sistemas com melhores respostas do ponto de vista ambiental. Isto converte-as numa alternativa interessante, face a outras tecnologias convencionais no tratamento de águas residuais habitualmente utilizadas em adegas, como é o caso dos sistemas de tratamento de lamas activadas.

O projecto WETWINE adaptou esses sistemas às características específicas dos efluentes vitivinícolas das adegas da área Sudoe. Para tal, desenvolveu um sistema baseado em tecnologias naturais de FITO-ETAR artificiais, tanto para o tratamento das águas residuais como de lamas. O sistema WETWINE permite tanto o tratamento das águas residuais para reutilização na rega, como a valorização dos biossólidos resultantes como adubo.

O sistema WETWINE foi validado numa planta piloto situada na Adega Santiago Ruiz, em Pontevedra, Espanha, onde se obtiveram resultados interessantes tanto no desenho como na operacionalização do sistema em ambiente real.

Basicamente o sistema WETWINE é a junção de uma unidade de pré-tratamento anaeróbico: reactor HUSB (reactor anaeróbio de leito de lamas de fluxo ascendente) e um conjunto de FITO-ETAR artificiais de fluxo sub-superfcial para o tratamento de águas e lamas.

Tratamento de águas

Na etapa de pré-tratamento, que ocorre no reactor HUSB, os sólidos das águas residuais são retidos e hidrolisados, com uma eficiência de 70%-80%. De seguida, as águas resultantes circulam através de uma sequência de FITO-ETAR verticais e horizontais com caniços plantados, onde, através de diversos processos biológicos, se provoca o tratamento das águas residuais até obter um efluente com parâmetros analíticos aptos para descarga ou, inclusive, para utilização na rega.

Tratamento de lamas

Paralelamente, os sólidos retidos no reactor HUSB são tratados nas FITO-ETAR de lamas onde, através de processos físicos (secagem) e biológicos (mineralização), ocorre uma redução significativa do volume das lamas: eliminação de possíveis agentes patogénicos, estabilização e obtendo um biosólido para posterior utilização como adubo nas vinhas.

 

Como resultado do processo de validação da operacionalidade da planta piloto, bem como dos ensaios de campo implementados nas 12 regiões vitivinícolas no espaço Sudoe, que estiveram envolvidas no desenvolvimento do projecto, obteve-se uma grande informação e resultados interessantes para optimizar o sistema WETWINE. No entanto, no caso particular de cada uma das adegas, será necessário adaptar a estratégia, o desenho e os parâmetros de operação às suas características específicas.

Para isso, esta ferramenta online permite particularizar o sistema WETWINE à situação real de cada adega, obtendo uma maior aproximação às configurações ideais do sistema WETWINE.